quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Vala de blush


Com a noite chega a Hora da embriaguez dos sonhos pálidos. Como um relógio separado do tempo, deixo-me ir, convenientemente elegante, a cair numa vala de blush. Não borra.
Sonhaste tu - daqueles sonhos insanos de esperança - que roubavas as rosas de todos os jardins, mas chegas aqui, ao meu sonho, vazio de pólen... vazio de ti. O requinte da seda preta não murcha - dizes tu. Mas de ceda preta vivem aqueles que cantam e dançam na tela pequena, eu vivo de ti. Quase morro à sede pelos abraços pequenos e tímidos, - nada de mãos no pescoço ou gestos fogosos, afinal sou sensível e posso magoar-me - assim distantes, assim suficientes.
Todas as noites me visitas. Admiras-me as pétalas murchas, não lhes tocas - são frágeis demais - ama-las de longe, sentado, quieto, a dormir. Por todos os sonhos, de todas as vidas, vejo sempre a mesma imagem: eu, pequenina a tremer de frio, e tu, grande e solto, a fingir que tens calor.

2 comentários:

Anónimo disse...

sou tudo o que quiseres que eu seja desde que pelo menos te faça feliz...
eu sei que se por um momento te fiz sorrir.. é porque estou guardada num lugar seguro dentro de ti..
isso para mim JÁ É o mundo... não precisas de mo querer dar porque já mo entregaste <3
amo-te
xxx

Unknown disse...

peço desculpa pela invasão, mas encontrei o teu blog por um mero acaso. gostei de ler os textos que aqui deixaste, os meus sinceros parabéns.