Este blog dá-me falta de ar...
Novo blog:
http://joanalima.blogspot.com/
domingo, 4 de fevereiro de 2007
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Fomos um sonho, esta noite.

Sonhei-te.
Éramos um abraço,
Éramos dois pares de pernas entrelaçadas de saudades,
Éramos uma despedida...
Dois olhares que nunca mais se cruzariam,
Mas que diariamente se veriam - para sempre.
Havia amor!
(Maior que a distância que me recolhe do Mundo.)
Éramos dois corpos paradoxalmente unidos,
Dois seres que partilhavam os mesmos lençóis de camas separadas.
Estranho...
Nunca serias esse abraço.
Foi apenas um sonho.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Irreal
Vazia como uma ostra a quem roubaram a pérola,
Toco a irrealidade do oxigénio
E faço-me bolha de ar,
Abrigada no calor duma chávena de café.
Longe das memórias fotográficas
Em que convalescia no chão
Das lesões provocadas pela tua fachada de pedra,
Distante do colo que me fazia menina,
Das mãos que me diziam de nós...
Que me diziam muito.
Mas essa sombra quis morrer antes de mim
Transformou os meus suspiros em ventos,
Os meus sussurros em gritos
E partiu(me) na mentira.
Toco a irrealidade do oxigénio
E faço-me bolha de ar,
Abrigada no calor duma chávena de café.
Longe das memórias fotográficas
Em que convalescia no chão
Das lesões provocadas pela tua fachada de pedra,
Distante do colo que me fazia menina,
Das mãos que me diziam de nós...
Que me diziam muito.
Mas essa sombra quis morrer antes de mim
Transformou os meus suspiros em ventos,
Os meus sussurros em gritos
E partiu(me) na mentira.
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Não sei se consigo morrer e depois viver
Ante a possibilidade de não parar de respirar, nunca.
Pois que árvore dará o papel para a escrita consoladora
Se não tiver nos seus ramos mais que pesadas cinzas?
Continuarei a ver do alto, numa clarividência renegada,
O surgir da primeira pinga nascida do Nada
Acompanhar calada o seu trajecto confuso
E aceitá-la depois como lágrima minha?
Que Pierrô de olhar triste
Sente esse frio metálico percorrer-lhe o espectro moribundo?
Como é possível perder-me sem nunca me ter achado?
É urgente ouvirem-me cantar.
domingo, 21 de janeiro de 2007
Os restos
A consciência:
Afinal não morreste. Porquê? Que parte teimosa se mantém viva? "O coração" diz ele... Mal sabe que foi esse o primeiro a abandonar-te, a largar o descompasso habitual várias vezes no mesmo dia, como que a ameaçar o fim. Mas não... Não podia, nem agora, ser fácil.
E se um dia a pessoa te falhar Joana? Já falhou. E a Joana caiu.
Não há Jóias de Édipo que te salvem nesta hora, sabias? Sabias? Sabias? Sabias? Sabias? Sabias que ia ser assim??? Não sabias, estúpida.
Estás gelada. O ébano interior condiz com as covas da tua cara, as únicas a combater eficazmente a tua ridícula solidão. Não estás a sonhar. Não vais acordar. É esta a realidade: nunca tiveste mãe, agora perdes-te o emprego, a casa e a tal pessoa. Sim, perdeste! Sabes que nenhum dos três alguma vez foi teu. Não andes para aí a chorar, a perder o resto do corpo em tantos quilómetros que percorres. Não adianta, tu sabes. A pulseira caiu... Não vais mais ver a Lua na praia de Carcavelos, não vais mais pisar o Torque, aqueles espelhos de tecto não te vão reflectir mais... És cisne, aproveita o derradeiro momento e canta.
Eu:
Sempre disse que a pior coisa que podia acontecer era matarem-me. Achava que tanto esforço para me agarrar à vida (ou a inutilidade de todas as tentativas de suicídio) não podia ser destruído por terceiros. Mudo agora de opinião. Não me afoguei, não caí da janela, a pneumonia não me levou, o tiro não me acertou, o camião não me atropelou. Por favor, matem o resto de mim já que grande parte já foi morta por alguém que não me quer dar vida.
Espero que quando passar esta margem agoniante e chegar finalmente lá, Ela não me mande de volta para cá.
Afinal não morreste. Porquê? Que parte teimosa se mantém viva? "O coração" diz ele... Mal sabe que foi esse o primeiro a abandonar-te, a largar o descompasso habitual várias vezes no mesmo dia, como que a ameaçar o fim. Mas não... Não podia, nem agora, ser fácil.
E se um dia a pessoa te falhar Joana? Já falhou. E a Joana caiu.
Não há Jóias de Édipo que te salvem nesta hora, sabias? Sabias? Sabias? Sabias? Sabias? Sabias que ia ser assim??? Não sabias, estúpida.
Estás gelada. O ébano interior condiz com as covas da tua cara, as únicas a combater eficazmente a tua ridícula solidão. Não estás a sonhar. Não vais acordar. É esta a realidade: nunca tiveste mãe, agora perdes-te o emprego, a casa e a tal pessoa. Sim, perdeste! Sabes que nenhum dos três alguma vez foi teu. Não andes para aí a chorar, a perder o resto do corpo em tantos quilómetros que percorres. Não adianta, tu sabes. A pulseira caiu... Não vais mais ver a Lua na praia de Carcavelos, não vais mais pisar o Torque, aqueles espelhos de tecto não te vão reflectir mais... És cisne, aproveita o derradeiro momento e canta.
Eu:
Sempre disse que a pior coisa que podia acontecer era matarem-me. Achava que tanto esforço para me agarrar à vida (ou a inutilidade de todas as tentativas de suicídio) não podia ser destruído por terceiros. Mudo agora de opinião. Não me afoguei, não caí da janela, a pneumonia não me levou, o tiro não me acertou, o camião não me atropelou. Por favor, matem o resto de mim já que grande parte já foi morta por alguém que não me quer dar vida.
Espero que quando passar esta margem agoniante e chegar finalmente lá, Ela não me mande de volta para cá.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
sábado, 13 de janeiro de 2007
sábado, 6 de janeiro de 2007
Eu, Máquina.
O telefone não toca, talvez não saiba que preciso ser tocada.
Ainda tenho o sabor a vidro na face apodrecida de mim. Lágrimas mecânicas, como roldanas de fingir... Fingir ser gente, fingir sorrir. Pele de espelho partido, olhar de certidão de óbito... Já não quero fingir. Quero chorar o Mundo e ver-me cair para cima, aos pés da Lua, aquela Lua.
E estilhaçar as estrelas.
Ainda tenho o sabor a vidro na face apodrecida de mim. Lágrimas mecânicas, como roldanas de fingir... Fingir ser gente, fingir sorrir. Pele de espelho partido, olhar de certidão de óbito... Já não quero fingir. Quero chorar o Mundo e ver-me cair para cima, aos pés da Lua, aquela Lua.
E estilhaçar as estrelas.
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Morre, morre e morre.

Morre, morre e morre.
Tenho outra - a cores, viva - mas esta, em que acreditei, tu matas.
Porque tu ergues muralhas de vida à morte que alimento.
Porque tu acorrentas o terror de te ter nestas saudades suadas.
Morre de raízes coladas ao chão do teu peito mole que jaz a escassos metros da fonte.
Porque tu esgotas os segundos, os últimos segundos, antes das Horas do Medo, antes do Tempo da ausência da fala. Só isso? Os gemidos, já ausentes, nestes segundos, nada farão por nós naquelas Horas.
Porque tu tremes em ti a vontade de mim que morre e morre no revolver da tua voz longe do rio que tu arrastas.
Sabias?
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